quarta-feira, 22 de outubro de 2014

JODY WILLIAMS

Denilson com Jody Williams
Jody Williams, blueseiro de 79 anos de idade, e um dos remanescentes da importante Chess Records, esteve em porto Alegre para mostrar o seu Blues.

Nascido em Mobile, Alabama (EUA), em 1935, logo aos 5 anos mudou-se para Chigago. Embora tenha pego a gaita como primeiro instrumento, ao conhecer Bo Diddley, a trocou pela guitarra. Na década de 1950, Williams passou a acompanhar músicos como Memphis Minnie, Elmore James e Otis Spann, sem contar a parceria com Bo Diddley. Na sequência, tornou-se músico da lendária Chess Records, gravando clássicos como guitarrista da banda de Howlin Wolf e fazendo dobradinha de guitarra com Hubert Sumlin e tocando com BB King, uma de suas principais referências no Blues.

A carreira solo de Jody Williams começou em 1955, mas o músico se manteve como guitarrista de apoio e tocou com Jimmy Rogers e Otis Rush. Em 1957 lança “You May” pela Argo Records. Mas Williams aos poucos foi se desiludindo com o mercado da música, em especial ao ver criações suas sendo copiadas por outros músicos sem que ele fosse creditado. Assim, abandonou a carreira de músico e estudou eletrônica, tornando-se engenheiro técnico para a Xerox, onde trabalhou por mais de 25 anos. Após se aposentar, Jody resolveu voltar a tocar e gravou dois novos álbuns: “Returno of Legend” e “You Left Me in The Dark”.

A apresentação de Jody Williams em Porto Alegre ocorreu no dia 20 de julho de 2014, no Átrio do Santander Cultural. Com seus 79 anos de idade, o Mestre do Blues mostrou bastante desenvoltura em seus solos de guitarra. Tocando um blues mais baladeiro, sem os tradicionais riffs do blues, fez um show que em determinados momentos ficou arrastado pelos longos solos, mas soube quebrar esta monotonia com o blues mais clássico e pegado, o “jump blues” de Chicago. Jody veio acompanhado de um guitarrista argentino que mostrou uma ótima pegada nos ritmos de guitarra.

Para conferir Jody Williams ao vivo em Porto Alegre, clic na imagem abaixo:


Texto: Denilson Reis
Foto: Walter Andres
Video: Denilson Reis

domingo, 29 de junho de 2014

PROGRAMA BLUESERIA

Prezados Amigos!
Nos meses de março, abril e maio de 2014, produzi e apresentei três programas de blues pela 3W Web Radio em uma parceria com o radialista Taylor S. A ideia do programa era levar o meu trabalho como fanzineiro e blogueiro com o Blueseria para as ondas das rádios web. No momento a rádio está parada, mas pretendo continuar a produzir o Programa Blueseria e postar aqui no blog. Por enquanto, você pode ouvir os três programas que foram ao ar acessando os links abaixo clicando nas imagens.

Denilson Reis na 3W Web Radio


PARA OUVIR OS PROGRAMAS CLIC NAS IMAGENS ABAIXO

PROGRAMA BLUESERIA 001



PROGRAMA BLUESERIA 002


PROGRAMA BLUESERIA 003



sexta-feira, 21 de março de 2014

CHARLES BUSKER & PROGRAMA BLUESERIA

Prezados Amigos!
Duas notas na postagem deste mês do blog do Fanzine Blueseria: a estréia de meu programa de blues e a apresentação do músico Charles Busker. Confiram aí!

CHARLES BUSKER EM ALVORADA

Denilson com o músico Charles Busker
Charles Busker é músico de rua em Porto Alegre, tocando em ruas, praças e parques. O repertório de suas apresentações é recheado de clássicos do rock, country e blues. O artista apresenta-se com um violão e harmônica, tocando composições de Johnny Cash, Bob Dylan, Neil Young, Creedence, Elvis Presley e tantos outros.

No dia 14 de março de 2014, Charles Busker veio pela segunda vez ao Subtê Café, em Alvorada/RS para apresentar seu trabalho. O público esteve mais reduzido em relação a primeira apresentação, mas o músico mostrou muita competência, agradando ao público que manifestava-se pedindo esta ou aquela música de seu artista preferido. Claro que pedi um blues e o cara atendeu. Confiram no vídeo abaixo!


 Click na imagem acima para ver Charles Busker ao vivo em Alvorada

PROGRAMA BLUESERIA

No domingo, dia 23 de março, às 21h estréia o meu programa de blues, o Blueseria. Esta é a terceira etapa do projeto Blueseria. O projeto começou com o fanzine impresso, zine este que continuo publicando com uma edição por ano. A segunda etapa foi levar o zine para o mundo virtual e aí surgiu este blog que você está acessando. Agora fecho a trilogia com um programa de rádio. O Programa Blueseria irá ao ar todo último domingo de cada mês, sempre às 21h com muita música e informação pela 3W Web Rádio, com uma hora de programação. Confiram a chamada do programa abaixo!



Click na imagem acima para ouvir a chamada do Programa Blueseria

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

HENRY GRAY

Denilson com Henry Gray
Henry Gray nasceu em Kenner, Lousiana, em 1925, e chegou a Porto Alegre, para primeira apresentação, 88 anos depois. E só pelo fato do cara ter uma história quase centenária no Blues, já seria motivo suficiente para acompanhar de perto esta lenda.

A história de Henry Gray é muito parecida com a de outros nomes do Blues tradicional da primeira metade do século XX. Começou a estudar piano ainda jovem e tocar em uma Igreja Batista. Mas já aos 16 anos tocava em clubes de Blues, mesmo contrariado pelo pai, que só admitia pela grana que Gray trazia após cada apresentação. Henry Gray só foi consolidar sua carreia de músico de Blues após retornar do Exército, onde serviu durante a Segunda Guerra Mundial, no Pacífico.

Para tornar-se um músico consagrado, Gray passou a tocar em bandas de nomes famosos do Blues, além de ser o pianista de estúdio de vários deles, gravando discos clássicos da História do Blues. Entre os músicos que Henry Gray acompanhou, podemos citar: Jimmy Reed, Bo Diddley, Little Walker, Jimmy Rogers, Elmore James, Muddy Waters, Buddy Guy, Howlin Wolf e tantos outros.

Em Porto Alegre, Henry Gray fez apresentação dia 24 de novembro de 2013, aos 88 anos de idade, no Átrio do Santander Cultural. Quando Gray chegou caminhando mansamente e subiu ao palco – recebido calorosamente pela plateia – ficou a expectativa da destreza do mestre ao piano. Mas já na primeira música, foi possível ver seus dedos deslizando pelo teclado com a maestria que só o tempo pode trazer. Gray apresentou clássicos do blues como “Sweet Home Chicago” (veja vídeo abaixo) e “Rock me Baby”. Interagiu com o público, falando de sua trajetória como músico de Howlin Wolf, e de ter tocado com Elmore James, na noite em que esse teve um ataque cardíaco. O público foi amável com o Mestre, que demonstrava satisfação abrindo um leve sorriso ao final de cada música.

click na imagem acima para ver o vídeo
Texto: Denilson Rosa dos Reis
Foto: Rosileine Reis

Vídeo: Denilson (gravação), Anderson Ferreira (montagem)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

PHIL GUY


Este é um dos shows que você vai não pelo artista em si, mas pelo que ele representa. Phil Guy é o irmão mais novo do mestre Buddy Guy, e confesso que a ideia de ir ao show realizado no Bar Opinião na noite de 29 de março de 1998, foi por esta questão, pois até então nunca havia sequer ouvido falar no cara, quanto mais conhecer seu trabalho. O Blues já começou cedo com a banda argentina Blues Special, que acompanha Phil nesta turnê e com a participação do gaúcho Alexandre Rossi na harmônica.

Já eram 22h quando Phil Guy, empunhando sua Fender Telecaster, a qual toca sem o suo da paleta, ou seja, apenas com os dedos, começa a desfilar clássicos temas do Blues, fazendo um som que mistura a raiz rural do Blues com a vertente urbana de Chicago. Também deve ser ressaltada a qualidade do trio argentino: Adrian Flores (bateria), Julian Diana (guitarra) e Mauro Diana (baixo). Aproximadamente no meio do show, Phil convidou o guitarrista gaúcho Fernando Noronha para uma canja onde tocaram, entre outras, clássicos de Júnior Wells.

Já passava da meia-noite quando Phil perguntou: “vocês querem ir para casa ou continuar a bailar?” Com o delírio do público, detonou uma versão de “Kiss You” dos Rolling Stones e ainda voltou para o bis tocando a clássica “Sweet Home Chicago”. O cara pode ser apenas o irmão mais novo de Buddy Guy, mas o show foi nota dez. 

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Foto: Rosileine Reis
Efeitos: Alex Doeppre

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Renato Velho & Manéco Rocha

A dupla Renato Velho (violão) e Maneco Rocha (percussão) estiveram em Alvorada no dia 02 de agosto de 2013, dentro do projeto 50 Tons de Blues do espaço cultural Subtê, apresentando clássicos e standers do Delta Blues.

Segundo o release do evento: “os músicos Renato Velho, nos violões acústico e dinâmico, Manéco Rocha, tocando Washboard, Spoons e Kazoo, apresentam um panorama musical do Blues acústico nos primórdios de seu surgimento quando eram utilizadas técnicas de Fingerpicking e Slide. Alternando afinações e letras apimentadas do Rag Time com a melancolia do Delta Blues, com músicas de Arthur Blind Blake, Rev.Gary Davis, Blind B. Fuller, CharleyPatton, Robert Johnson, BlindWillie Mc Tell, Tampa Red e Mississippi John Hurt, entre outros”.

Conheci o Renato Velho em uma palestra sobre blues na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre/RS e achei interessante que ao longo da fala ele apresentava as músicas, além de dar dicas sobre como tocar blues ao violão. Depois o Renato apareceu com um trabalho muito interessante de blugrass com a banda Trem 27, com quem chegou a lançar dois discos. O músico também lançou dois discos solos: Estratosférico (2005) e Astenosférico (2012) e ganhou o Prêmio Açorianos de Melhor Instrumentista em 2005.

Na apresentação em Alvorada, Renato e Maneco interagiram com o público contando um pouco da história do blues conforme apresentavam músicas dos mestres do Mississippi, começando com o pessoal do Delta Blues e no final a galera mais moderna de Chicago. O público saiu maravilhado com o espetáculo, inédito em Alvorada, e já ficou na expectativa de um retorno da dupla.

Para conferir Renato Velho e Manéco Rocha ao vivo no Subtê click na imagem abaixo:



Texto: Denilson Rosa dos Reis
Foto: Walter Andrés Cambero
Vídeo: Denilson (gravação) e Anderson ferreira (montagem)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

JEFF HEALEY

Arte de Bira Dantas
Nos dias 17 e 20 de agosto de 1997, ocorreu no Teatro do SESI o RS Guitar Festival tendo como atrações: The Jeff Healey Band, Stanley Jordan, e os gaúchos Solon Fishbone, Fernando Noronha e Frank Solari. No dia 20 fui conferir de perto a performance do guitarrista canadense Jeff Healey e me assombrei com a técnica deste guitarrista, que só para constar, é cego e toca com a mão esquerda sorfe o braço da guitarra como se fosse um teclado.

Antes do show de Jeff Healey coube aos blueseiros gaúchos Solon Fishbone e Fernando Noronha aquecerem o público com uma bela apresentação acústica, embora sejam originalmente líderes de bandas de blues elétrico, não decepcionaram neste set de violão e o acompanhamento de Alexandre Rossi na harmônica. Se todos pensam que eles foram corridos do palco para o início do show de Healey, estão enganados. Eles seguraram muito bem a platéia.

Mas o melhor mesmo foi a apresentação  de Jeff Healey e sua banda, que tocaram numa pressão acústica de 125 decibéis, ou seja, no pico (a média seria de 95), o que apavorou o público no início. Mas logo nos primeiros acordes de Healey o público esqueceu a dorzinha no ouvido e curtiu o show. A ideia que se tem é que o show não tem pique, devido ao problema de visão do guitarrista. Ledo engano, Jeff corre pelo palco, pula, faz miséria, como no final do show em que pisa na guitarra e a estraçalha contra o tablado do palco. O público delíra!

Healey tocou clássicos do blues, composições próprias, foi muito simpático e brincalhão com o público e no bis atacou com a balada arrasa quarteirão “While My Guitar Gently Weeps”, de George Harrison.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Bira Dantas (SP)